Contabilidade Consultiva

Imposto de renda para pessoa jurídica: quais são os maiores desafios dos contadores?

26 fev

Qual o papel do contador diante de seus clientes empresários? Contribuir para que o negócio tenha sustentabilidade financeira. E como fazer isso? Sendo um parceiro de negócios, aplicando a Contabilidade Consultiva. Sempre destacamos a importância do profissional em focar sua atuação na proximidade com o cliente para realmente fazer a diferença. Defendemos a utilização da tecnologia para otimizar as tarefas burocráticas e repetitivas. Mas é necessário cumprir a burocracia e ficar em conformidade com a legislação.

Um dos pontos mais sensíveis no que diz respeito às obrigações tributárias e contábeis das empresas é o imposto de renda para pessoa jurídica. Não exatamente para o contador, que deve realizar sua função burocrática também, apesar de não ser o foco do cientista da riqueza. Mas principalmente em relação ao empresário. Vemos muitas empresas com condutas reprováveis por omissão de informações importantes neste momento. Na tentativa de reter o máximo do lucro, acabam por adotando posturas que comprometem seu próprio negócio.

Considerando todo esse cenário, preparamos um post com um panorama geral sobre o imposto de renda para pessoa jurídica. Além de fazer uma breve explicação sobre o tributo e suas diferenças para o IRPF, apontamos os maiores desafios dos contadores e algumas dicas para lidar com os clientes nestas situações. 

Vamos lá?

Imposto de renda para pessoa jurídica

Imposto de renda para pessoa jurídica

Imposto de renda para pessoa jurídica (IRPJ) é, como define o artigo 43 do Código Tributário Nacional, o imposto que incide sobre a renda e proventos de qualquer natureza que tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. Disponibilidade jurídica são a renda ou os proventos obtidos por meio de honorários, lucros de investimentos financeiros, e outros. Disponibilidade econômica resulta do aumento patrimonial (como ganhar na Mega Sena, por exemplo).

A declaração do imposto de renda para pessoa jurídica é obrigatória para todas as empresas, exceto organizações filantrópicas, recreativas, culturais e científicas, que estão isentas de pagamento do imposto. 

Declaração conforme o regime tributário

A declaração do imposto de renda para pessoa jurídica varia conforme o regime tributário adotado pela empresa.

As micro e pequenas empresas participantes do Simples Nacional pagam mensalmente o IRPJ no DAS (Documento de Arrecadação do Simples). Por isso, não precisam fazer a declaração de imposto de renda para pessoa jurídica. Devem somente enviar a DEFIS (Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais), documento exigido pelo Governo Federal para comunicar à Receita Federal os dados econômicos e fiscais da empresa. O empresário deve apresentar tal declaração até o último dia útil do mês de março do ano seguinte aos fatos declarados.

Na obrigação acessória da empresa optante pelo Simples Nacional, há registro de dados de faturamento obtido durante o ano, aplicações financeiras, vendas de ativo imobilizado, compras feitas no ano e ganho de capital.

As empresas que adotam o Lucro Real sofrem cobrança do IRPJ anual ou trimestralmente sobre o valor real do lucro obtido durante o período. A alíquota é de 15% sobre o valor do lucro total. Há um adicional de 10% para valores excedentes a R$ 20 mil ao mês. O lucro real é a opção da maioria das empresas, além de ser obrigatória para companhias do setor financeiro, corretoras de títulos, sociedades de créditos, corretoras de investimentos, empresas que recebem capital estrangeiro ou têm uma receita anual superior a R$ 78 milhões, entre outras.

As empresas optantes do Lucro Presumido faturam entre R$ 4 milhões e R$ 78 milhões. Neste regime, há uma presunção do lucro conforme o setor e com base na tabela da Receita Federal, que  varia de 1,6% a 32% do faturamento. A alíquota do IRPJ de 15% é aplicada, a cada 3 meses, sobre a diferença entre a receita operacional e o percentual da margem de lucro presumido. Lucros superiores a R$ 60 mil por trimestre sofrem adicional de 10%. 

Desde 2014, a declaração é feita por meio da ECF (Escrituração Contábil Fiscal), no SPED. 

Por fim, as demais empresas que não se enquadram nas condições dos demais regimes adotam o Lucro Arbitrado. Em geral, é uma modalidade adotada por iniciativa da Receita Federal quando há falta de informação ou suspeita de fraude. A autoridade fiscal apura o lucro obtido pela empresa e cobrar o imposto referente ao valor. A alíquota é de 15% sobre o lucro arbitrado, com adicional de 10% para lucros superiores a R$ 60 mil por trimestre.

Diferenças entre IRPF e IRPJ

O empresário já perguntou a você se a declaração de imposto de renda para pessoa jurídica o exime de declarar o imposto para pessoa física? Essa é uma dúvida comum que muitos contadores escutam de seus clientes. E a resposta é simples: é preciso fazer as duas declarações, porque os impostos são diferentes e atendem a regras próprias. 

O imposto de renda para pessoa física (IRPF) deve ser declarado pelo empresário quando seus rendimentos pessoais superarem R$ 28.559,70 no ano fiscal anterior ou se ganhou mais de R$ 40 mil em rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados na fonte no ano (indenizações trabalhistas ou rendimento de poupança). Há também outras hipóteses que demandam a declaração de IRPF, como quem obteve lucro na venda de bens ou quem realizou operações em bolsas de valores, como compra e venda de ações.

É importante destacar que o empresário pode receber rendimentos pessoais em três categorias principais: pró-labore (Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica), lucros e dividendos (Rendimentos Isentos e Não-Tributáveis), e juros sobre capital próprio (Rendimentos Tributados Exclusivamente na Fonte).

Além das diferenças em relação às situações em que se deve declarar o imposto de renda, há também alíquotas próprias de cada imposto. Enquanto o imposto de renda para pessoa jurídica obedece às alíquotas de cada regime tributário que apontamos, a pessoa física se enquadra na faixa de isenção ou nas faixas de alíquota de 7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%.

Desafios dos contadores na hora de fazer a declaração de imposto de renda para pessoa jurídica

Desafios dos contadores na hora de fazer a declaração de imposto de renda para pessoa jurídica

Na rotina empresarial, contadores e seus clientes lidam com muitas situações desafiadoras. Seja para encontrar as melhores estratégias no planejamento tributário ou para tomar decisões de investimentos, é preciso uma análise apurada do negócio. E o mesmo acontece na hora de fazer a declaração de imposto de renda para pessoa jurídica.

A situação mexe diretamente com o bolso e com a cabeça do empresário. E isso gera muitos desafios aos contadores.

Desconhecimento do empresário

Em primeiro lugar, grande parte dos empreendedores brasileiros não têm conhecimento sobre as legislações que se aplicam às burocracias de seus negócios. Um empresário do ramo de saúde pode até conhecer as normas da ABNT e as leis específicas aplicáveis ao segmento. Mas é só falar em tributação ou em relatório contábil que a pressão sobe.

A complexidade do sistema tributário brasileiro provoca uma enorme repulsa nas pessoas comuns. E o que acontece diante disso? Todo o processo relativos aos tributos fica a cargo do profissional responsável pela contabilidade. “Ah, mas esse também é o trabalho do contador, que é pago para isso”. De fato, sim. Mas, como sempre pontuamos, o trabalho real do contador demanda uma proximidade (e um interesse) com seu cliente. Então, quando nos deparamos com empresários desinteressados sobre seu próprio negócio, ainda que o tema seja a burocracia tributária, aparece uma enorme dificuldade. 

Na declaração de imposto de renda para pessoa jurídica também há outro complicador. Diante da falta de conhecimento e interesse do empresário, o contador realiza seu trabalho de apurar o valor a ser pago. E se esse valor é alto, imediatamente vem o questionamento (inclusive sobre o trabalho contábil). Como explicar ao cliente cada detalhe do trabalho de apuração, dos fatores que são analisados e considerados?

Omissão de informações

Um desdobramento da falta de conhecimento do empresário é a omissão de informações. O contador precisa saber, exatamente, tudo que acontece na empresa para que a declaração do imposto de renda para pessoa jurídica seja correta. E para declarar tudo, o contador deve manter a organização e o controle patrimonial, que envolve notas fiscais, fluxo de caixa (rendimento/despesas), e relatórios contábeis.

O problema é que nem todas as informações estão na frente do contador. É preciso dados adicionais que venha diretamente do empresário para que a declaração seja completamente verídica. Mas não é o que acontece. Infelizmente, existem muitos casos de sonegação fiscal, que é um crime.

A divergência nos dados pode acarretar graves problemas com a Receita, como multas e outras sanções.

Dicas de como lidar com os clientes pessoa jurídica

Dicas de como lidar com os clientes pessoa jurídica

Diante desses desafios, o contador deve adotar uma postura proativa para que seu cliente o auxilie na hora de transmitir a declaração do imposto de renda para pessoa jurídica. Não basta acompanhar eventuais mudanças legislativas, resgatar declarações passadas, fixar prazos para receber documentações ou utilizar a tecnologia para agilizar o trabalho. É preciso lidar diretamente com seus principais desafios.

Aproxime-se do empresário

A chave de um bom relacionamento com o cliente é a proximidade. Fazer-se presente no dia a dia da empresa, compreendendo suas necessidades e auxiliando o gestor a tomar decisões fundamentadas é o segredo para criar um vínculo de confiança com o empresário. E isso tem um motivo muito simples: é uma maneira eficiente de demonstrar valor.

Quando isso acontece, o gestor consegue ver no contador um verdadeiro parceiro de negócios, que realmente entende as demandas e os objetivos daquele empreendimento. O resultado dessa proximidade é o sucesso da empresa, que mantém sua sustentabilidade ao longo do tempo. E esse é o sonho de todo empresário. Quando o contador o auxilia a realizar seus sonhos, se torna alguém indispensável. 

Em suma, ao se aproximar do empresário, o contador estabelece um vínculo forte de confiança e consegue realizar seu trabalho rotineiro de forma tranquila e eficaz. Será mais fácil planejar e organizar as demandas e fazer um controle financeiro e contábil constante. Se o empresário confia no contador, não omitirá informações. Isso ajudará o profissional na hora de fazer a declaração de imposto de renda para pessoa jurídica.

Eduque seu cliente

Outro ponto fundamental na hora de lidar com os clientes pessoa jurídica é a educação. Como pontuamos antes, um grande desafio dos contadores é o desconhecimento do empresário, o que pode resultar em questionamento do trabalho e outros problemas. Por isso, a orientação dos clientes é fundamental. Não se limite a oferecer um serviço especializado e diferenciado. É importante orientar o empresário sobre o imposto de renda para pessoa jurídica e para outras obrigações que garantem a saúde das finanças e o crescimento do negócio.

Coloque-se no lugar do empresário. Você confia mais em um profissional que apenas realiza o seu trabalho, cumprindo bem as obrigações acessórias, ou em um profissional que, além de fazer isso, explica cada etapa, o que está sendo feito, como e por quê? Certamente, no segundo profissional, porque ele agrega valor. Mais uma vez, a educação também é um meio para gerar confiança. Aproveite a oportunidade da declaração de imposto de renda para pessoa física para educar seu cliente sobre seu negócio e boas práticas de gestão.

Quer saber como educá-lo? Você pode oferecer alguns materiais acessíveis que o oriente sobre os impostos, bem como textos com dicas de gestão contábil e tributária. A elaboração de material relevante é uma estratégia eficaz de marketing contábil.

Estabeleça uma comunicação clara

Seu cliente entende o que você fala? Se você fala “contabilês”, certamente não. Pense no que acabamos de dizer: ele não tem seu conhecimento técnico. Pode saber muito sobre seu próprio negócio, mas não sobre as burocracias. Então, para driblar os desafios na hora de fazer a declaração de imposto de renda para pessoa jurídica e lidar com os clientes, saiba se comunicar de forma clara. 

A comunicação também é uma forma de aproximação e educação. Ter uma postura proativa em relação à comunicação envolve muitos aspectos, como facilitar reuniões por meio de aplicativos que permitem reuniões virtuais ou ter muitos meios de comunicação disponíveis. 

Mas, acima de tudo, a comunicação deve cumprir seu objetivo. Ao explicar para seu cliente sobre o imposto de renda para pessoa jurídica, você deve utilizar uma linguagem que ele compreende. Demonstrar números e mais números pode ser um tiro no pé. Certamente, ele consegue entender melhor dashboards e gráficos que traduzem a linguagem contábil para a linguagem empresarial. Essa é, inclusive, a proposta da Nucont.

Com ou sem Nucont, eduque seu cliente e demonstre como seu trabalho está sendo feito na linguagem que ele entende. Deixe o “contabilês” para a conversa no escritório de contabilidade.

Declaração de IRPJ: oportunidade de melhorar o relacionamento com o cliente

Declaração de IRPJ: oportunidade de melhorar o relacionamento com o cliente

Vencidos os desafios, o contador dá um passo em direção ao melhor relacionamento com o cliente possível. E o momento da declaração de imposto de renda para pessoa jurídica é, de fato, muito propício para se aproximar e ganhar esses consumidores.

A educação e a comunicação clara podem fazer com que seu escritório aprimore o vínculo de confiança com o empresário, deixando-o mais seguro não somente quanto à declaração do tributo, mas também quanto à parceria de vocês em todos os momentos do negócio. Oferecer materiais relevantes, como dissemos, é uma maneira eficiente de educá-lo, mas também demonstra que você não quer “aprisionar” seu cliente porque ele não consegue realizar a declaração sozinho. Na verdade, todo o trabalho de aproximação do contador com o empresário se volta para a demonstração de valor, que vai muito além da burocracia.

É nessa hora que o contador deve se mostrar indispensável para um gestão profissional do negócio, que tem como principal objetivo o crescimento dele. Aos poucos, o empresário percebe que outros serviços contábeis são fundamentais para isso.

O momento de declaração de imposto de renda para pessoa física pode ser um desafio para os contadores. Mas, ao superar o desconhecimento do empresário e a omissão de informações sobre o negócio, é possível se aprofundar no vínculo com o cliente, estabelecendo uma relação mais confiável e duradoura.Confira também nosso post com as estratégias de relacionamento com o cliente contábil!

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