Contabilidade Consultiva

Capital de giro: como o contador deve orientar as empresas?

14 jul

Capital de giro é o ativo circulante da empresa que serve para suportar custos e despesas fixos e variáveis. Entram no ativo os recursos financeiros em caixa, as contas bancárias, os investimentos líquidos e os pagamentos a receber, principalmente. Esses valores que a empresa dispõe para utilizar em sua atividade rotineira é de suma importância exatamente por exercer essa função.

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É ele, por exemplo, que permite ao empresário realizar uma venda a prazo, em parcelas a perder de vista, inclusive. No mesmo sentido, é o montante que suporta as épocas de sazonalidade em que o volume de vendas é menor. 

Em outras palavras, essa reserva de recursos supre as necessidades da gestão financeira empresarial. Tamanha importância faz com que os empresários dêem muita atenção ao capital de giro. No entanto, muitos sequer têm conhecimento para realizar uma gestão das finanças eficiente. Mesmo aqueles que possuem boas práticas, ficam com dúvidas sobre um assunto tão importante.

E é aqui que entra o papel do contador. Esse profissional estratégico deve orientar a empresa a calcular e administrar o capital de giro corretamente. Mas como isso pode ser feito? Em primeiro lugar, entendendo os desafios dos empresários quanto ao assunto!

Quais os desafios das empresas com o capital de giro?

Os recursos do capital de giro servem para manter todas as operações empresariais em dia. Manutenção dos estoques, pagamento de fornecedores e profissionais, tributos, custos e despesas operacionais. Tudo isso possui um custo fixo para o empresário. E o capital de giro é o que suporta a continuidade das atividades. Por se destinar à operação básica, já é possível imaginar sua necessidade.

Mas, por mais que os empreendedores compreendam o que é e sua importância, apresentam muitas dificuldades em monitorar, negociar e administrar esses recursos. E qual o resultado disso? Podemos apontar alguns problemas:

  • Dificuldades em manter o bom funcionamento do ciclo operacional do capital de giro (ciclo de vida do negócio, que abrange envolve desde a aquisição da matéria-prima até a entrega do produto ou serviço final). Se há problemas na administração do capital de giro, será muito difícil manter a regularidade desse ciclo.
  • Problemas com o retorno dos investimentos em ativos atuais: qualquer empreendedor deseja maximizar o ROI em ativos atuais, de modo que o retorno seja superior ao custo médio ponderado do capital. Porém, sem uma boa gestão do capital de giro, o empresário não conseguirá maximizar a riqueza do empreendimento, pelo contrário. Poderá, inclusive, ver suas operações comprometidas.
  • Maior custo de capital: custo de capital é o gasto de manutenção do capital de giro. Quando o empreendedor não consegue o controle o capital de giro, esse custo certamente será maior.
  • Possível insolvência da organização: uma empresa mal administrada pode apresentar dificuldades em honrar seus compromissos financeiros. Se o gestor não consegue garantir liquidez suficiente para a solvência da organização, os pagamentos aos credores podem atrasar, tornando ruim o histórico de crédito. Consequentemente, verá sua reputação e credibilidade ruir perante o mercado. 

Qual é o papel do contador?

Qual é o papel do contador?

O papel do contador nas empresas possui enorme importância. Este profissional é estratégico para uma tomada de decisões assertiva não só na área financeira ou contábil. Ele é um grande auxiliar do empresário em todas as áreas. Afinal, todas estão conectadas diretamente aos recursos financeiros do empreendimento.

Quando falamos de capital de giro, a importância do contador fica evidente. Uma empresa só pode ser bem administrada quando esses recursos são calculados e geridos de forma correta. Não à toa ele integra um planejamento financeiro adequado, garantindo a sustentabilidade dos negócios. 

O capital de giro é importante para manter o bom funcionamento do ciclo vida da empresa (ciclo operacional). No mesmo sentido, é quem possibilita minimizar o custo de capital e maximizar o retorno dos investimentos em ativos atuais.

Considerando esse cenário, o contador assume algumas funções quanto ao capital de giro para prevenir sua insuficiência. Assim, garante a liquidez do negócio. São elas: calcular o capital de giro, acompanhar o fluxo de caixa, auxiliar na gestão de estoque e controlar o capital de giro.

Calcular o capital de giro líquido corretamente

Direto ao ponto, o cálculo do capital de giro líquido é:

(passivo não circulante + patrimônio líquido) + lucro líquido – ativo não circulante (AC).

Passivo circulante são todas as despesas e custos fixos, sejam previsíveis ou programados. Salários e encargos trabalhistas e previdenciários, contas a pagar, empréstimos, fornecedores, aluguéis e custos de manutenção da empresa, por exemplo.

Ativo circulante são os recursos disponíveis em caixa e/ou que tenham alta liquidez. Valores em contas bancárias, determinados tipos de aplicações financeiras, contas a receber são bons exemplos. 

Quando a subtração ocorre, o contador terá o capital de giro líquido. Quanto maior ele for, maior a capacidade da empresa em cumprir seus compromissos. Inclusive, maior será sua capacidade de investimento.

No entanto, mais do que calcular, o contador deve levar em consideração os fatores que influenciam no cálculo. Se o CDG é fundamental para bancar a continuidade do funcionamento do negócio, quais os fatores que afetam diretamente a continuidade? É papel do contador avaliar tudo isso na hora do cálculo.

Lembre-se que é o capital de giro que permite o empreender realizar vendas à prazo (que nada mais é do que financiar clientes), manter o estoque, assegurar o pagamento aos fornecedores (mercadorias de revenda, compras de matéria-prima etc., pagar tributo, salários e demais custos operacionais.

Vale destacar também que o planejamento precede o cálculo do capital de giro. O contador deve detalhar gastos a curto e longo prazo, possíveis entradas de dinheiro e fazer projeções. 

E quando o cálculo não é correto? O que pode acontecer se o empreendedor errar a conta? Bom, as notícias não são nada animadoras. Esse erro pode interferir em toda a operação da empresa. Isso porque ele deverá buscar recursos de terceiros para mantê-la funcionando. E recorrer às instituições financeiras para conseguir empréstimos pode até ser uma estratégia em alguns momentos de crescimento, mas certamente é prejudicial quando acontece em situações de emergência. 

O empreendedor fica em situação vulnerável e desfavorável, e não terá muita margem de negociação. No final das contas, aceitará termos e contratos adversos que agravarão ainda mais a situação da empresa. 

Acompanhar o fluxo de caixa

De acordo com a fórmula do capital de giro, o dinheiro em caixa é um dos fatores mais fundamentais, certo? E se o caixa tem tanta influência, é fundamental acompanhá-lo de perto. O empreendedor deve saber exatamente a diferença entre receitas e contas a pagar, o retrato do momento atual da empresa. 

Muitos empresários têm dificuldades de adotar essa prática fundamental. Por isso, a atuação do contador neste ponto é muito importante. Afinal, é exatamente com esse acompanhamento que ele verá o montante de recursos disponíveis em caixa, se há ou não lucro momentâneo. 

Ajudar a gerenciar o estoque

Estoque grande é sinônimo de dinheiro retido. Estoque muito baixo pode deixar o empreendedor em apuros, inclusive perdendo clientes. Por isso, o empresário deve realizar uma boa gestão de estoque para evitar interferências no capital de giro. 

Para que isso ocorra, é preciso ter exata noção da demanda empresarial, da sazonalidade, da velocidade das vendas e muitos outros fatores gerenciais. Em muitos momentos, é preciso realizar cálculos mais complexos, e o contador pode auxiliar o empresário neles. Dessa forma, consegue manter uma operação mais ajustada ao negócio e ter um capital de giro mais adequado. 

Controlar o capital de giro

O capital de giro pode ser controlado com boas práticas financeiras. E isso depende bastante do empresário, tenha ou não dificuldade de realizar a gestão financeira. Ele deve munir o contador de todas as informações necessárias para que esse controle dê certo. Elas podem envolver inadimplência, processos financeiros, redução de custos, dívidas, fluxo de caixa e muito mais.

Mas como, na prática, é feito o controle do capital de giro? São 6 ações básicas que o contador deve adotar:

  • Prezar e manter a política de redução de despesas e custos, inclusive orientando o empresário a incluir novas ações neste sentido;
  • Controlar os clientes inadimplentes e propor medidas para reduzir a inadimplência;
  • Conhecer profundamente o fluxo de caixa da empresa e seu ciclo financeiro;
  • Adequar e documentar todos os processos financeiros do empreendimento;
  • Renegociar melhores condições para dívidas.

Um ponto que merece destaque quanto à administração do capital de giro são os stakeholders. Pontuamos anteriormente que o cálculo desses recursos se dá com uma fórmula simples. Mas todos aqueles que se envolvem com o empreendimento (clientes, parceiros, instituições financeiras, colaboradores) podem interferir no cálculo. E, se interferem no cálculo, interferem na empresa. Por isso, devem ser acompanhados de perto pelos empreendedores e por seus contadores.

Para tanto, é possível adotar ferramentas práticas de controle do capital de giro, como o dashboard da Nucont.

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Como o contador pode e deve orientar as empresas?

O sucesso da gestão empresarial depende da saúde financeira, e o capital de giro interfere bastante neste aspecto. Os gestores que têm uma visão global de seu negócio possuem informações financeiras mais precisas na hora de tomar decisões. E isso também é uma atuação do contador.

Todas as práticas que acabamos de listar são formas de o contador atuar junto às empresas para que o capital de giro seja adequado. Mas é preciso destacar uma atuação muito estratégica que serve como um “instrumento administrativo” que controla e avalia o desempenho econômico da empresa no mercado, visando seu sucesso: a Contabilidade Estratégica e a Contabilidade Consultiva.

Contabilidade Estratégica e Contabilidade Consultiva

Como conceituamos em outro post, a contabilidade estratégica é uma evolução da contabilidade, a atuação contábil diferenciada e pontual no dia a dia da empresa. Em outras palavras, elabora estratégias que englobam pessoal, custos, preços, finanças e investimentos. 

A estratégia de custos, por exemplo, se baseia na possibilidade de reduzir gastos e utilizar de maneira mais inteligente a verba disponível pela empresa. O contador pontua os gastos, identifica os pontos que exigem mais recursos, realiza os cortes, faz os ajustes e reorganiza o orçamento mensal do negócio de forma estratégica e diferenciada. E, como sabemos, isso fará toda a diferença no capital de giro.

Se tomarmos as ações que se conectam diretamente ao capital de giro, podemos dizer também que o contador terá outras funções fundamentais, como:

  • Ajudar os empresários a estruturarem planos e estratégias focadas na economia do negócio; 
  • Aumentar a eficiência dos recursos financeiros utilizados na empresa;
  • Auxiliar na definição de preços para serviços e mercadorias;
  • Melhorar a tomada de decisão dentro do negócio;
  • Criar uma estrutura de custos.

A Contabilidade Consultiva é muito semelhante à Contabilidade Estratégica e por vezes se confundem. Ela é o resgate do papel do contador em sua essência, o profissional que utiliza a contabilidade para verdadeiro objetivo, que é auxiliar as empresas na tomada de decisão.

Na prática, o contador utiliza as informações contábeis para diagnosticar a saúde financeira das empresas. A partir do balanço patrimonial, transforma meros números em insights de negócios. Em seguida, transmite seu conhecimento de forma simples ao empresário, que pode tomar uma decisão mais assertiva, pois está direcionada pelo estrategista e pelos números.

Fernanda Rocha pontua os 6 pilares da Contabilidade Consultiva, que são:

  1. Método Científico-Contábil: A Contabilidade Baseada em Evidências
  2. Contador Protagonista: O ato de assumir responsabilidades
  3. Reposicionamento estratégico: A morte do contador darfeiro
  4. Treinamento e Prática: A arte de fazer a Verdadeira Contabilidade
  5. Relacionamento com o Cliente: O diferencial humano
  6. Tecnologia Acessível: A inteligência artificial a serviço do contador

Com a aplicação da Contabilidade Estratégica e da Contabilidade Consultiva, o contador exerce um papel fundamental para as empresas. O cálculo e a administração do capital de giro será só mais uma tarefa rotineira de suma importância.

O capital de giro é a reserva financeira necessária para suprir os custos e as despesas fixas e variáveis de uma empresa. É um importante ponto da gestão, que precisa ser acompanhado de perto. O monitoramento e a administração do capital de giro, bem como seu cálculo, podem ser um desafio grande para o empresário.

Por isso, a presença de um contador é fundamental para orientar as empresas a atuarem de forma correta quanto ao capital de giro. Sua atuação estratégica e consultiva pode fazer a diferença na tomada de decisões. Principalmente em épocas de crise.

Veja o papel do contador consultivo na crise! Criamos uma série focada na saúde financeira das empresas. Quer aprender como melhorar a análise dos seus clientes e entender o impacto do capital de giro para empresas em diferentes contextos? Confira nossa série sobre consultoria contábil na prática.

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