Tenho lucro, mas não tenho caixa?!

Publicado por Kadu em

Imagino - com 99,99% de certeza - de que um dia, você fazendo as suas contas, ou em uma reunião com o responsável financeiro, com o seu contador, chegou-se a conclusão de que sua empresa estava dando lucro. 

E aí, obviamente, você pensou: que ótimo! Estou no caminho certo!!

Provavelmente, pensou ainda de que agora poderia investir na melhoria do maquinário, fazer uma reforma no escritório, investir em um fundo de renda fixa ou até mesmo adiantar parcelamentos e/ou empréstimos existentes.

No entanto, na hora que você vai olhar no seu caixa, não há dinheiro disponível (caixa da empresa somado ao valor nos bancos).

E agora? Erro nos cálculos? Será que se esqueceu de alguma informação?

Esses problemas podem sim acontecer (você não está enganado em questionar)!

Mas, em muitos casos, esses dados não estão errados e o objetivo é entender o que está acontecendo!

Afinal, o que isso significa?


Ao evidenciarmos um lucro, mas não sermos capazes de vê-lo disponível significa que, sob a perspectiva do Regime de Competência, o recebimento do pagamento dos seus clientes ainda não foi feito.

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Regime de Caixa x Regime de Competência 

Regime de Competência é quando as receitas e despesas são contabilizadas no momento em que acontecem, independentemente de pagamento ou recebimento. 

Já o Regime de Caixa é no momento do recebimento em si, evidenciando diretamente o caixa atual da empresa.

Um exemplo: Você vende produtos eletroeletrônicos e há a possibilidade da venda à prazo (parcelamento). E você vendeu 05 produtos no mês de agosto parcelados em 06x. 

Sob o Regime de Competência, o valor integral desses produtos já foi contabilizado e portanto, o lucro poderá ser evidenciado, sendo este, o lucro contábil.

Porém, esse lucro ainda não é uma realidade dentro do seu caixa, porque o dinheiro referente às essas vendas, ainda não foi recebido de fato.

Ou seja, temos um conflito de informação.

Sob uma perspectiva, o lucro é uma realidade (e não é uma mentira) e sob outra, olhando para a sua realidade - no que tange à existência desse lucro na sua conta bancária ou caixa da empresa - não é.

No entanto, o seu problema não está na perspectiva, mas sim, o que esse cenário causa no seus planejamentos e problemas cotidianos.

Para saber mais sobre a diferença entre os dois Regimes, recomendo esse artigo: [inserir link do artigo aqui]. 

Analisando o problema a fundo 


Antes de entrar mais a fundo nesse assunto, vamos entender mais como isso acontece. 

Ao praticar vendas à prazo para os seus clientes, você demorará mais para receber o capital referente ao produto vendido/ serviço prestado.

Por consequência, caso a sua compra com os fornecedores seja feita antes do recebimento, precisará de capital para financiar a operação da sua empresa.

E ao fazer isso, corremos o risco de iniciarmos um ciclo vicioso.

Que começa com a não existência de capital para que o fluxo de operações ocorra. E termina com a busca por empréstimos e parcelamentos com juros altos, tendo a tendência ao endividamento e/ou dependência total desse capital externo.

Um outro cenário possível está relacionado com o elevado estoque.

Se a companhia possuir um elevado estoque - acima do consumível pela operação - evidencia que os caixas foram pressionados para a aquisição das mercadorias.

Ou seja, dinheiro foi retirado - em excesso - para a compra desse estoque.

E, mais uma vez, ainda que tais mercadorias sejam consumidas, ao longo do tempo, e portanto desconfigure esse cenário, a empresa durante certo tempo possuíra lucro, sem possuir caixa disponível.

Em ambos os casos, falamos da importância do alinhamento dos prazos médios para a sua empresa: Prazo Médio de Pagamento(PMP), Prazo Médio de Recebimento(PMR), Prazo Médio de Estocagem(PME).

Eles são fundamentais para que a firma não passe por complicações na sua operação, para que tenha lucro contábil e tenha caixa o suficiente para cumprir a sua operação e que tenha reserva de emergência para os problemas cotidianos.

Para entender melhor sobre esses prazos, temos um outro artigo, só clicar aqui!

Conclusão 


Esses efeitos são reversíveis. 

A pressão em mudar esse cenário no próximo mês pode fazer com que você tome algumas medidas desesperadoras que irão penas alastrar o problema, portanto, cautela.

O mais sensato a ser feito é compreender qual é a sua realidade e como esse cenário tem ocorrido na tua empresa.

De modo que a causa-raiz seja o foco das tuas ações e não a remediação. Remediar é, em muitos casos, não sair do lugar!

E feito isso, montar uma estratégia de modo que a sua operação ocorra sem prejudicar a sua saúde financeira.

Negociar prazos com fornecedores, acordar novos com os clientes, dar condições especiais para o pagamento à vista, como descontos e/ou outras formas de pagamento. Além de observar as compras de estoque, todas estas são ações que podem lhe auxiliar a sair desse ciclo!

Não podemos esquecer de que você pode sempre contar também com o auxílio de pessoas que podem lhe ajudar a compreender mais esses dados e lhe direcionar rumo ao sucesso: seus amigos contadores! 


Kadu

Especialista em Marketing de Conteúdos, SEO e redação. Apaixonado por música, pela Contabilidade e por um mundo melhor. Ativo na luta contra todas as chatices da vida. Contato: [email protected]

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