Contabilidade Consultiva

1º Pilar da Contabilidade Consultiva: Método Científico-Contábil

13 abr

A Contabilidade Baseada em Evidências

Precisamos deixar claro que quando falamos de Contabilidade Consultiva, o Primeiro Pilar que a sustenta é a ciência que existe por trás da matéria contábil.

O método científico é o que vai, de fato, guiar o contador na sua atuação frente às empresas.

Mas por que se basear na ciência é tão importante?

Bem, primeiro vamos entender, nas palavras de Antônio Lopes de Sá, por que a Contabilidade se trata da Ciência da Riqueza:

“O enquadramento da Contabilidade, como ciência, deveu-se ao fato de a mesma atender a todos os requisitos necessários para tal qualificação, ou seja, ter objeto próprio, método específico, finalidade determinada, teoremas, teorias, hipóteses, tradição etc.

Somente os recursos superiores do raciocínio contábil podem oferecer meios para que se produzam modelos de comportamentos da riqueza.

O contador, portanto, deixa de ser apenas um «informante» para transformar-se em um «orientador», um autêntico médico da empresa e das instituições, orientando e opinando sobre os destinos dos empreendimentos.

Para o contador se tornar, portanto, “um autêntico médico das empresas” e conduzi-las ao caminho da riqueza, criei a Metodologia da Contabilidade Consultiva, que obedece aos preceitos da Ciência Baseada em Evidências, que consiste em 4 passos:

  1. Contexto
  2. Análise
  3. Diagnóstico
  4. Prescrição

1. Contexto

OBSERVAR O QUE ACONTECE à sua volta e levantar hipóteses sobre o que está sendo observado é a base de qualquer trabalho científico.

Em suma, todo o trabalho do contador precisa sempre responder a uma pergunta.

Por exemplo:

“Como fazer a empresa Moderna aumentar sua lucratividade?”

E para responder, é preciso primeiramente entender o contexto onde a empresa está inserida: o mercado onde ela atua, o perfil dos fundadores, como funciona a operação, quais são os problemas enfrentados.

Nessa etapa, o papel do contador é ESCUTAR com atenção. ANOTAR os fatos. USAR A EMPATIA.

Aqui está toda a beleza da profissão contábil. Porque essa atribuição não pode ser terceirizada para a tecnologia. Robô nenhum vai olhar no olho do empresário e sentir a sua dor, a angústia de estar passando por dificuldades financeiras.

Portanto, se entregue de corpo e alma à essa etapa, porque nesse momento você terá a oportunidade ímpar de se conectar com outro ser humano.

Pergunte sobre a história da empresa, pergunte sobre o que motivou aquele empresário a ter um negócio. Pergunte sobre a sua família, sobre a sua equipe. SEJA O INTERESSADO, pergunte sempre mais.

Crie vínculo.

Acredite, a resposta estará sempre nas entrelinhas.

Saiba verdadeiramente ouvir seu cliente

Bem, o objetivo é você sair dessa etapa com algumas hipóteses levantadas.

O que está fazendo a empresa Moderna ter sua lucratividade abaixo do esperado?

– Má formação de preço de venda?

– Estrutura de custos e despesas muito robusta?

– Baixo controle do estoque?

– Prazos inadequados com fornecedores?

– Falta de controle financeiro?

Essas hipóteses, portanto, serão validadas ou refutadas na próxima etapa, a de ANÁLISE DOS RESULTADOS.

2. ANÁLISE DOS RESULTADOS

Um contador não pode ajudar uma empresa a melhorar seus resultados se estes não forem conhecidos, seja em maior ou menor grau de precisão.

Existe uma falácia que foi criada ao longo desse tempo em torno da Contabilidade Consultiva, de que só é possível avaliar os resultados de uma empresa se as informações corresponderem a 100% da realidade.

Bem, chegou o momento de desmistificar isso.

Não há dúvidas de que quanto mais precisa for a informação, maior é o grau de assertividade na tomada de decisão.

Mas o que acontece se somente 30, 40 ou 50% das informações corresponderem à realidade? Será que não é possível extrair ABSOLUTAMENTE NADA de relevante?

Se mesmo as informações não forem 100% precisas, ainda é possível ter um nível de confiança no momento de tomada de decisão, e este pode ser o ponto crucial para o destino de uma empresa.

Tomada de decisão com base em informações assertivas

Na grande maioria das vezes, o empresário acaba tomando decisões no escuro, confiando na sua própria intuição e assumindo os riscos.

Ter acesso a uma informação extra, mesmo que não seja precisa, já pode ser suficiente para confirmar ou refutar a intuição do empreendedor.

Por exemplo:

Uma empresa omite cerca de 20% das suas receitas todo mês e, ao longo dos últimos 4 meses, a receita operacional tem apresentado uma tendência de queda.

Por mais que o valor absoluto da receita não esteja correto, se a empresa mantém constante o seu percentual de omissão, a tendência se confirma.

Enquanto a receita está caindo, o peso da folha está aumentando, foi de 40 para 60%. Isso mostra ineficiência na empresa, que está diminuindo suas receitas, sem diminuir os custos com pessoal.

Então, será que como contadora eu não tenho nada de relevante para falar para esse empresário, mesmo sabendo que as informações não são totalmente corretas?

Será que sem a minha ajuda, o empresário teria a percepção de que sua empresa está se tornando ineficiente?

Talvez sim, mas é por isso mesmo que o trabalho não termina aqui.

O objetivo da ANÁLISE DOS RESULTADOS é identificar a história que os números daquela empresa estão contando.

Nessa história, eu identifico vários problemas (índices ruins, tendências negativas, quebras de tendência), mas também identifico o que está bom e o que pode melhorar ainda mais.

Com isso em mãos, agora já é possível responder positiva ou negativamente as hipóteses levantadas lá na primeira etapa, a de contexto.

Então, a empresa Moderna está com a sua lucratividade abaixo do esperado e precisamos aumentá-la.

Ao analisar os resultados da empresa, consegui verificar que o ciclo financeiro está elevado, o markup está muito baixo e a empresa está muito alavancada, com vários empréstimos onerosos para financiar seus ativos.

Análise de Resultados Contábeis

Esses são, portanto, os sintomas de uma possível doença financeira que está abalando os alicerces da empresa Moderna, e na próxima etapa daremos um nome a esse diagnóstico identificado nos exames da empresa.

3. DIAGNÓSTICO

O diagnóstico nada mais é do que a sintetização de todos os problemas identificados nas etapas anteriores.

Nessa etapa, iremos reunir todos os dados qualitativos coletados no CONTEXTO, juntamente com as análises quantitativas dos resultados da empresa para encontrarmos qual é a causa raiz que está afetando a sua saúde.

Quando conversamos com o empresário da empresa Moderna, lá na etapa de CONTEXTO, ele havia dito que sua empresa não dava lucro suficiente para deixa-lo tranquilo no final do mês, que ele precisou adquirir máquinas para aumentar a produção, mas o volume de vendas ainda estava aquém do esperado.

Os números da empresa comprovaram isso: o markup estava baixo e a receita estava em uma leve tendência de aumento, mas muito sutil. Além disso, o caixa estava comprometido com as altas parcelas dos empréstimos adquiridos.

Qual é o diagnóstico?

Empresa altamente alavancada e sem capacidade de caixa para honrar com empréstimos: EXCESSO DE ENDIVIDAMENTO.

A consequência de não corrigir isso é a insolvência financeira, seguida de falência.

Bem, quando você dá “nome aos bois”, fica mais fácil o empresário entender que a empresa dele tem um problema que precisa ser resolvido.

E é na próxima etapa, a de PRESCRIÇÃO, que seremos capazes de mostrar o grande valor do nosso trabalho, quando poderemos montar um plano de ação de COMO RESOLVER o problema identificado no diagnóstico.

Resultado do Diagnóstico Contábil

4 . PRESCRIÇÃO

Quando o médico dá a prescrição do remédio para você tomar, ele nada mais está fazendo do que um plano de ação para você melhorar.

E aí cabe a você tomar o remédio ou não, a escolha é sua. O trabalho do médico foi feito e terminou ali.

Normalmente, o médico nem fica sabendo se você está tomando o remédio direitinho, se você melhorou mesmo e como você está se sentindo.

Eu acredito que o papel do contador, nessa etapa, vai muito mais além do que o médico que dá a prescrição do remédio.

Esse seria um trabalho de identificar o problema, dar a solução e não acompanhar o resultado.

O contador precisa garantir que o resultado venha através do plano de ação elaborado juntamente com o empresário.

Isso não quer dizer que o contador vai assumir o papel do empresário e fazer por ele, mas sim ser capaz de liderar o empresário rumo a essa jornada de melhoria.

O contador precisa apontar o melhor caminho para o empresário seguir

Por isso, a criação de vínculo é tão importante nesse processo de consultoria. Para o empresário aplicar o que foi proposto, ele precisa confiar em quem está ali dizendo pra ele o que pode ser feito.

E confiança não é algo que se conquista em uma reunião, uma ligação, uma mensagem no WhatsApp. A base de um relacionamento pautado na confiança é o de se fazer presente nos momentos cruciais.

Por isso, nessa etapa de TRATAMENTO, a proposta não é apenas a de fazer um plano de ação e entregar na mão do empresário, mas o de acompanhar de perto a execução desse plano.

Na empresa Moderna, algumas ações para combater o excesso de endividamento podem ser:

– venda de ativos

– renegociação de dívidas

– integralização de capital

Para cada ação, uma meta para ser atingida, um responsável por ela e um prazo para ser obedecido.

O objetivo final dessa etapa, claro, é corrigir o problema que estava causando a baixa lucratividade da empresa e, assim, colocar a empresa no rumo certo: o da geração de riqueza!

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CONCLUSÃO

Portanto, o método científico de atuação:

  • CONTEXTO
  • ANÁLISE DOS RESULTADOS
  • DIAGNÓSTICO
  • PRESCRIÇÃO

Dá ao contador um passo-a-passo claro no seu trabalho junto ao cliente e oferece uma proposta de valor com benefícios tangíveis, sempre com o objetivo de orientar os pequenos empresários na melhor tomada de decisão e na maior performance dos resultados da empresa.

Nunca se esqueça, contador, de que você é um cientista, e como tal deverá agir, sempre aplicando o método científico para ajudar seus clientes.

Sei que pode parecer complexo a princípio, mas é por isso que os outros pilares da Contabilidade Consultiva existem: para te guiarem no caminho de se tornar um cientista da riqueza!

Clique aqui para acessar o artigo sobre o 2º Pilar da Contabilidade Consultiva: O Contador Protagonista!

Até lá!

Tamo junto,

Fernanda Rocha

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