Parto do Filipe, Protagonismo, #CSC, Nucont: o que tudo isso tem em comum

13 de abril de 2018

Hoje eu não vim falar de contabilidade consultiva, clientes pangarés e vendas. Hoje eu resolvi falar de parto. Sim, parto. Aquele processo que sua mãe passou para te trazer ao mundo.

Bem, não sou especialista pra falar cientificamente desse assunto, mas por incrível que pareça, o tipo de parto que eu escolhi para dar a luz ao meu filho é o que me trouxe na posição que estou hoje: líder de um Movimento que virou um estilo de vida para milhares de contadores e fundadora de uma startup que revoluciona o tradicionalíssimo mercado contábil.

O Parto​​​​

Quando eu engravidei, fui estudar sobre tipos de parto. Estudei pra caramba. Li artigos, livros, assisti vídeos e filmes. E nessa jornada eu descobri coisas que me deixaram estarrecida. Descobri que a cesárea eletiva (quando se escolhe a cesárea sem um motivo clínico que justifique o procedimento) é algo que pode trazer terríveis sequelas para a mãe e para o bebê.

O pior foi descobrir que muitos médicos FORÇAM as mães a optarem pela cesárea, mesmo estas sonhando com um parto normal, unicamente por ser um procedimento que para o médico é mais cômodo e mais rápido. Afinal, depois daquela mãe, tem várias outras para serem atendidas durante o plantão e um parto normal pode durar até 48h.

E por falar em parto normal, eu também descobri coisas não muito legais sobre ele. Aqui no Brasil, o parto normal feito principalmente em plantões médicos de hospitais públicos (porque em hospital privado a cesárea acontece em 86% das vezes) pode ser confundido com uma sessão de tortura.

O que era pra ser um processo fisiológico do corpo, se torna uma rotina de procedimentos. Primeiro, é injetado o famoso “sorinho”, um hormônio sintético que acelera as contrações. Obviamente, contrações intensas geram dor. E aí é dada a anestesia, que retarda o processo de expulsão do bebê.

Essa contradição, obviamente, traz consequências. Enfermeiras sobem na barriga da mãe para forçar a saída do bebê. Mães gritam de dor e são silenciadas pela equipe que, muitas vezes despreparada, trata a dor com deboche.

Essa força descomunal pra tirar o bebê de dentro da barriga o mais rápido possível provoca um outro procedimento: a episiotomia, um corte no períneo para tornar a saída do bebê pelo canal do parto mais fácil.

Sem falar que em alguns lugares, os acompanhantes são proibidos de entrar e a mãe precisa enfrentar tudo isso sozinha, sem apoio.

Pois é, foi isso que eu descobri estudando sobre tipos de parto. Triste e desanimador. Conversei com algumas tias e amigas sobre o assunto e a resposta que eu encontrei foi: “é assim mesmo! Não tem nada que a gente possa fazer”. Muitas delas, inclusive, sofreram violência obstétrica sem nem se darem conta que sofreram.

Protagonismo

Bem, eu me recusei a aceitar isso. Não quero nem um, nem outro. Será mesmo que NÃO HÁ NADA QUE POSSA SER FEITO?

E foi pesquisando mais, estudando mais, perguntando mais, que eu descobri que existia uma saída. O chamado parto humanizado.

Quando se fala em parto humanizado, muita gente torce o nariz. Fala que é modinha. Fala que é coisa de gente fresca. Fala que é arriscado, perigoso e vai contra tudo aquilo que a tecnologia pôde oferecer de melhor às mães: rapidez, segurança e ausência de dor no parto.

Mas eu li sobre esse negócio, e tudo aquilo que eu lia passou a fazer sentido pra mim: Protagonismo na hora do parto. A fisiologia do corpo funcionando de forma harmoniosa. Equipe acolhedora, que intervém o mínimo possível e te incentiva o máximo possível. Não é o médico, não é a enfermeira, É VOCÊ e seu corpo sendo os responsáveis pelo parto do seu filho.

E assim eu descobri uma coisa fantástica: que o corpo da mulher foi feito pra parir! E que ele sabe o que precisa ser feito na hora H. E que se tiver tudo bem, não é preciso nenhuma intervenção pra isso.

Parece besteira constatar algo que aparentemente é tão óbvio, mas o fato é que nós sempre tivemos a educação de sermos PACIENTES e não PROTAGONISTAS. Que precisamos aceitar as coisas como elas são. Que precisamos acreditar que NÃO VAMOS DAR CONTA e que NÃO TEMOS PREPARO para tentar algo diferente do que foi estabelecido pelo status quo.

Bem, eu encontrei um lugar com profissionais maravilhosos que me acolheram durante todo o pré-natal e estavam do meu lado na hora do parto. Mas olha, eu precisei fazer a minha parte para estar preparada para parir(palavra inclusive que conservadores acham feio e inadequado) sem implorar por uma anestesia ou correr algum risco. Além de estudar, tem que praticar! Fazer exercícios de fortalecimento de períneo, respiração, meditação.

O Filipe nasceu de parto natural na água, dentro da banheira da suíte de parto do Hospital Unimed, 3h depois que cheguei lá. Foi fácil? Gostaria de dizer que sim, mas FOI DIFÍCIL PRA CARALHO (o palavrão é merecido) porque DÓI, DÓI, DÓI e é uma dor que parece que vai te matar. E quando parece que você vai morrer, AÍ É QUE DÓI MAIS AINDA!!!!!

Eu falei pra minha doula QUE EU NÃO IA CONSEGUIR, que EU NÃO ESTAVA AGUENTANDO MAIS e ela me dizia pra eu continuar respirando e fazendo força em direção à dor. “Ir em direção à dor???? Você tá louca, mulher???? Eu quero é que essa dor suma daqui”.

Pois é, um dos segredos do parto natural é ir em direção à dor. É não lutar contra ela. Porque é pra lá que você precisa concentrar toda a sua força. É da dor que acontece a coisa mais extraordinária da nossa existência: o nascimento. Dá medo? Muito. Mas eu consegui. Ali naquele momento, com o Filipe nos meus braços, boiando na água, eu consegui várias coisas.

Consegui provar pra mim mesma de que eu era capaz. De que eu posso ser protagonista das minhas conquistas. De que eu posso lutar contra um sistema que te impõe certas crenças limitantes. De que ser e querer algo diferente dói, dói de forma insuportável, a ponto de querer desistir. Mas na hora do aperto não dá mais pra desistir. Ou vai, ou vai. Depende ÚNICA e EXCLUSIVAMENTE de mim mesma.

Nucont e #CSC

Esses aprendizados me trouxeram até aqui. Eu saí de uma situação confortável na Fatto Contabilidade para inventar uma forma diferente de fazer e de falar sobre Contabilidade.

Criei um canal chamado CONTABILIDADE SEM CHATICE sob vaias e críticas de profissionais que diziam que eu profanava a profissão por falar de um jeito bastante informal. Acontece que vários contadores se identificaram com o que eu falava e isso se tornou um Movimento.

O Movimento #CSC é sobre PROTAGONISMO. É sobre não aceitar as coisas como são. É sobre deixar de reclamar de que é desvalorizado para correr atrás da sua própria valorização, fazendo diferente. Fazendo melhor.

Hoje são 3000 contadores que transformaram o #CSC em um estilo de vida. De gente que bate no peito e fala: SOU #CSC COM ORGULHO!

E tem mais. Eu fundei uma startup do zero. O Nucont 1 ano atrás não era nada. Era um bando de rascunhos no papel. Veio de uma ideia e uma certeza de que contabilidade não poderia se resumir a impostos, burocracia e relatórios chatos.

Hoje o Nucont tem 33 funcionários, 380 escritórios de contabilidade como clientes e mais de 2000 empresas usuárias. Nós construímos aqui uma comunidade que acredita que o contador é o único profissional capaz de resolver os problemas financeiros das empresas que as levam à falência. E agem para que isso seja cada vez mais realidade.

O que tudo isso tem em comum?

Há um ano não se falava de contabilidade consultiva. Acho que esse termo nem existia. O contador estava lá, acomodado, crente de que “não há nada que possa ser feito” para mudar essa triste realidade de ser desvalorizado e taxado como o mal necessário das empresas. Sabe aquela história de ser sempre PACIENTE?

Pois foi no parto do Filipe que eu aprendi a ser PROTAGONISTA na VIDA. A ser inconformada com o status quo, a agir e lutar para fazer as coisas diferentes. A sentir dor por isso. Muita dor. A duvidar de mim mesma. E a continuar mesmo assim.

E se tem um legado que eu quero deixar para vocês, família, amigos contadores, equipe do Nucont é esse: a certeza de ter ajudado a construir algo EXTRAORDINÁRIO!

Sou grata por tudo o que me trouxe até aqui e espero, do fundo do meu coração, ter contribuído por mudar a história da Contabilidade no Brasil.

É só o começo…
Obrigada por tudo.

Fernanda Rocha 
Fundadora do Nucont e do Movimento Contabilidade Sem Chatice 
Esposa do Luis, mãe do Filipe e de dois labradores, Bob e Backer. 
Fã de U2 e de Metallica. 
Como empresária contábil eu já estive no fundo do poço, a ponto de largar tudo. Até que através da contabilidade consultiva achei uma maneira de entregar mais valor para as empresas e com isso fui mais valorizada. 
Hoje tenho como missão de vida replicar para outros contadores tudo o que eu aprendi nessa jornada e garantir que o contador deixe para sempre de ser o mal necessário das empresas.


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